Da ideia ao Documentário…

Da ideia ao Documentário

Um Mar milenar com uma história ainda por contar…

A ideia de produzir este documentário surgiu de forma repentina, decorria o mês de Fevereiro de 2013, durante uma visita ás escavações arqueológicas que decorriam na Praça D. Luis I em Lisboa.

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«Peça náutica recolhida durante as escavações arqueológicas do fundeadouro romano – «Still Image” retirado do Documentário»

Ao olhar um imenso plano do que teria sido o  Tejo na Antiguidade, e os seus vestígios romanos, não consegui deixar de sentir que todas aquelas imagens se iriam perder em meses, e que nada restaria para ser contemplado…

Ficariam as fotos e pequenos filmes,  mas a mensagem da grandiosidade que este local transmitia sobre a Lisboa romana, não creio que chegasse a todo o público.

Lancei de imediato a ideia à Empresa “Era Arqueologia”, na pessoa de Miguel Lago e do Alexandre Sarrazola…

Aceitaram e aí começou esta longa caminhada, a aventura de produzir um documentário histórico em Portugal!

Hoje poderemos dizer que valeu a pena.

O  documentário ganha forma diariamente, um registo da historia deste local, um fundeadouro romano. 

Há Dois mil anos  embarcações romanas ancoravam junto da praia, hoje praça D. Luis I junto ao Cais do Sodré.

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« “Still Image” retirado do Documentário »

As valências portuárias da antiga Olisipo, as suas relações marítimas, o seu cosmopolitismo são factos infelizmente desconhecidos da maioria do grande público.

Outros aspectos não serão agora desvendados, pois desejamos que, quando em casa estiver a assistir a este trabalho, se possa surpreender com a historia de um Mar e de um porto milenar que esteve até aqui por contar…
Raul Losada

As escavações arqueológicas na Praça D. Luís I, em Lisboa

As escavações arqueológicas na Praça D. Luís I

No inicio de 2013 escavações arqueológicas na Praça D. Luís I, em Lisboa, acabaram por revelar a existência de um fundeadouro romano usado entre os séculos I a.C. e V d.C., no qual foram encontradas meia centena de ânforas e peças de cerâmica, entre elas um exemplar que apresenta um grafito.

Still Imagem do Documentário
Arqueólogo Alexandre Sarrazola, coordenador dos trabalhos, a cargo da empresa ERA-Arqueologia – “Still Image” retirado do Documentário 

Alexandre Sarrazola

“Temos no mínimo meio milénio de história documentado neste fundeadouro. Este local de ancoragem de embarcações da época romana encontrava-se sob a grade de maré (que ocupava uma área de 300 metros quadrados), Assim se explica que tenha ficado como que selado, resistindo ao maremoto de 1755 e à implantação do Aterro da Boavista no século XIX.”

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Ânfora romana durante as escavações arqueológicas  – “Still Image” retirado do Documentário 

“Estes vestígios foram descobertos durante a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, numa área que outrora ficaria a 70, 100 metros da linha da praia fluvial e na qual, segundo a iconografia antiga, haveria uma pequena baía, em frente à colina de Santa Catarina, que propiciaria as condições naturais para um fundeadouro”.

 

A navegação no Tejo durante a antiguidade

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“No primeiro tramo do rio Tejo podiam navegar os grandes navios de carga, enquanto que as pequenas barcas, chegavam a Moron”

(Estrabão III)

“O Tejo com 20 estádios de largura na sua boca tem ao mesmo tempo profundidade para que os maiores barcos do comércio o possam subir; e como no praia mar forma, alagando as planuras marginantes, dois mares interiores de uma extensão de 150 estádios, toda esta porção da planície se acha conquistada pela navegação.”

(Estrabão III)

Destes dois lagos ou estuários que o Tejo forma, o que está situado mais acima
contém uma pequena ilha de quase 30 estádios de comprimento, e outro tanto de largura, notável pela beleza dos seus olivais e vinhedos.”

(Estrabão III)

“… Olisipo (…) é pela sua posição a chave do rio, com o fim de dominar a sua curva.”

(Estrabão III)

Olisipo – Cidade portuária

Olisipo – Cidade portuária

“Olisipo seria uma cidade centrada na actividade portuária em época romana, sendo um reflexo deste impacto visível “novo género de vida” proporcionado pela Expansão, e a “atlantização” do povoamento mediante centros urbanos marcadamente marítimos.

As funções económicas de fundamento marítimo são mais que evidentes e onde os indícios de relações com portos italianos não faltam. Atendendo à importância do porto olisiponense, à sua excelente implantação geográfica e à rede de comunicações terrestres e fluviais que o serviam, a existência de rotas de longo curso com partida doestuário do Tejo é perfeitamente admissível, tanto mais que Olisipo ultrapassou Salacia, principal porto da época republicana, desde os primeiros tempos do Império.
O fórum romano, eventualmente um fórum corporativo estaria na zona da Rua da Prata, seguindo uma “ tradição de um espaço fortemente marcado pela vida portuária e comercial.” (Amaro, 1993, p. 187).

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«Still Image” retirado do Documentário»

Precisamente na Rua da Prata, as estruturas subterrâneas parecem articular-se com o espaço portuário do antigo esteiro do Tejo, a que são associáveis as cetariae, sugerindo mais uma interpretação como criptopórtico (Ribeiro, 1994), num contexto de urbe já organizada em época pré-romana e com indissociáveis funções portuárias.

A própria orientação Sudeste / Noroeste das três fábricas de salga romanas
descobertas na Rua Augusta sugere o aproveitamento da praia fluvial que se estendia ao longo do antigo esteiro, tendo esta instalação sido efectuada sobre vestígios anteriores de ocupação ibero-púnica, numa natural sobreposição que sugere o aproveitamento, muito antigo, da margem do esteiro

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« Ânforas romanas recolhidas no fundeadouro romano da praça D. Luis I e gravadas em estúdio criado nas instalações da ERA Arqueologia – Still Image” retirado do Documentário »

Entre os abundantes vestígios anfóricos encontrados no subsolo urbano de Lisboa, existem elementos de importações tais como ânforas vinárias de origem itálica, bética e tarraconense, gaulesa e de origem oriental na necrópole da praça da Figueira.”

Maria Luísa Blot
Os portos na origem dos centros urbanos. Contributo para a arqueologia das cidades marítimas e flúvio-marítimas em Portugal
Trabalhos de Arqueologia (28), IPA, Lisboa, 2003